terça-feira, 25 de novembro de 2014

Mi cumpleaños

O sol parece que não vai perdoar
São cinco da manhã, nasci.
E preciso muito do seu calor
Me alimente e me deixe dormir.

Essa noite sonhei com minha mãe
E este momento radiante me liberta.
Lembranças de outrora sobrevoam
E na mente repousam como quero.

Mesmo mais perdida do que só
Atravessando infinitas espirais
Circulando vagarosamente
Meus dedos em seus cabelos.

Me sinto entorpecida de ilusão
A cannabis já posso dispensar
Mesmo ainda avistando
Seus pequenos olhos.

E quando me embriago de tristeza
A solidão é o que menos machuca
A decepção é de amargar
Mas, acordo todos os dias.

E mesmo não restando nada
Roubou minha alma, meus poemas.
Levou embora meu coração.
E mais nada para testamentar.

E nessa jornada não somente dor
Se faz translúcida e permanente.
E se não vou ao teu encontro
É porque não deixei de te amar.

Em minhas mãos a reação das horas
Sou uma força de trabalho
Proletariamente sobrevivendo
Sem as mais belas canções burguesas.

Queria viver de meus poemas
E da minha prosa falsificada
Meramente ficcional
Manuscritos sem data, sem rancor.


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