quarta-feira, 28 de maio de 2014

Poema do recalque invertido

Quando indagar se torna uma necessidade
Lembrar torna-se um câncer.
Metamorfoseando as últimas sensações
Um engodo ainda não digerido.
Ainda não submetido ao esquecimento.

Pensei ser a medida de todas as coisas
Pensei ser a culpa, a loucura e a solidão
Hoje sei que não sou.
Salvei-me quando te perdi
Submergi quando te afoguei.

Se vai demorar?
Quantos dias 28 ainda irei comemorar
Por enfim, conseguir viver sem você.
E sua existência vazia, fingida...
De quem pensa cazuzear.

A verdade te destrói
Por isso avança em condição mentirosa.
A  libertinagem não convence ninguém
Sorrisos, fotos apenas escondem
O esgoto que te cerca.

Que sua imagem destituída
Decomponha-se mesmo que devagar
Seus restos no lixo aguardam
Junto com tudo que relegaste
Em anos de desperdício.

Por agora, nada mais espero
Apenas meus livros, meus filmes
Minhas canções sentimentais
Minha vida real, triste ou feliz.

Quero a verdade dos meus dias.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

20:20

Sei que agora tudo é partida sem chegada
Coração partido que não sara.
Nas tuas festas vazias de gente de verdade.
Em dois mundos diferentes posicionam
Nossas cercas eletrificadas.

Mas, resisto, sobrevivo
E respiro sem o ar da sua graça.
Sim. Eu estou aqui.
E agora sem esperar mais nada.
Mentira...

Ainda avisto o final de minha jornada.
Não me submeto e não esqueço.
Chame de mágoa, chame de recalque.
É melhor lembrar pra justificar
O que não posso mais enfrentar.

Amor?
Apenas mais uma palavra ao vento.
Apenas mais um e-mail perdido.
Uma estória pra contar.

Uma tristeza a menos para cortar.