domingo, 7 de dezembro de 2014

Tu cumpleaños.

Vieste de uma constelação qualquer
Um fruto do mais puro amor.
Da mais pura vida.
Em abundância se refugia.

A criança cresceu e pequena se faz.
E o mundo a transforma.
Não há mais sonhos.
E uma sombra refuta seu coração.

Vaguei por tantos meses sem resposta.
E no meu dia um aceno faltou.
Mas não me limito.
Tenho uma eternidade pra te esquecer.

Muitos anos ainda vão passar torturando
Seguem notícias longínquas.
E toda a minha mágoa contida.
Um dia se dissipará.

Com minha ausência podes respirar
E uma paz condicional se cria.
Nada mais, nada menos.
Apenas uma forma de te presentear.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Mi cumpleaños

O sol parece que não vai perdoar
São cinco da manhã, nasci.
E preciso muito do seu calor
Me alimente e me deixe dormir.

Essa noite sonhei com minha mãe
E este momento radiante me liberta.
Lembranças de outrora sobrevoam
E na mente repousam como quero.

Mesmo mais perdida do que só
Atravessando infinitas espirais
Circulando vagarosamente
Meus dedos em seus cabelos.

Me sinto entorpecida de ilusão
A cannabis já posso dispensar
Mesmo ainda avistando
Seus pequenos olhos.

E quando me embriago de tristeza
A solidão é o que menos machuca
A decepção é de amargar
Mas, acordo todos os dias.

E mesmo não restando nada
Roubou minha alma, meus poemas.
Levou embora meu coração.
E mais nada para testamentar.

E nessa jornada não somente dor
Se faz translúcida e permanente.
E se não vou ao teu encontro
É porque não deixei de te amar.

Em minhas mãos a reação das horas
Sou uma força de trabalho
Proletariamente sobrevivendo
Sem as mais belas canções burguesas.

Queria viver de meus poemas
E da minha prosa falsificada
Meramente ficcional
Manuscritos sem data, sem rancor.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Todos.

Ao meu lado não existe ninguém
E ao redor o mesmo se repete
Até eu cansei de meus convites
Mas se esperar, não há ninguém.

Têm dias que eu só queria alguém
Têm noites que eu só queria sair
Ver pessoas que me fazem rir
Encontrar e ser feliz com alguém.

Ninguém me faz solitária
Sou evitável em qualquer lugar.
Alguém abre um sorriso vazio
E tomo meu rumo pra casa.

Alguém me lamenta fragilmente
E me afasta porque é tolerante
Ninguém me acolhe de graça
Visto que não é importante.

E se alguém leu isto até o final
Ninguém vai acreditar
É apenas um poema de alguém.

Que ninguém vai amar.

domingo, 28 de setembro de 2014

A primavera não começa no dia 28.

E se foi mais um inverno maldito
Em que fui abandonada para morrer.
O equinócio anuncia o fim da guerra
E a cicatrização das piores feridas
As noites são como os dias.

Vou acreditar na primavera austral
Mais do que muitos desejam no reveillon.
Rever minha Ártemis e me entrelaçar
Pois é o fim das fraquezas entorpes
Somente vida, flores e cores.

Meu eu-lírico enfim se liberta
Após três anos de ilusão.
E mesmo depois de tanto frio
Ainda transcendo e derreto
Sem despedaçar.

E agora é só deixar o Rio te levar...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Patrícia

Meu poema agora é teu
Em cada palavra
Aos poucos o medo liberta
Tudo o que guardei pra te dar.

Sua honestidade sem reservas
É fonte de inspiração
Não sabes o quanto me fortalece
Com sua rude delicadeza espinhal.

Nada é complicado demais
Dispenso a propriedade
Preciso apenas da verdade
De tudo que posso sentir.

Que seja platônico
Tão intenso o quanto
E se é apenas sonho
Que eu não acorde mais.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Dia 28 da improvável probabilidade.

Ao te avistar, avistei o que não precisava
Nesse dia...justo nesse dia...
Em que a mais remota probabilidade
Brinca comigo e me faz desabar.
Mais uma vez caio no abismo.
A escuridão que me cerca não abranda
Nem os mais terríveis pensamentos.

Tanto para lembrar e tanto para esquecer
Agora são outras canções e outros filmes
Em uma outra companhia, outro abraço.
Não comigo, não mais o meu...
Não terás mais o meu sorriso.
E eu prefiro fingir, fugir, correr
Ser covarde, whatever...

Aos poucos se acomodam os fatos.
Aos poucos vou desaparecendo.
Consumida bulicamente pela decepção
E por uma tristeza eterna.
Aos poucos vou sumindo
Até não sobrar sequer essência

Até a luz se apagar.


OBS: E eu continuo querendo morrer em uma batucada de samba...

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mais um poema de dia 28.

São meus dias de dor extrema
E de aflições limítrofes
Torna-se demasiado suportar
Acordar todas as manhãs
Sem saber se sigo respirando
Ou se devo apenas me trancar
E partir.

Estou destruída
Em pedaços mononucleados
Cansada da indiferença
De quem finge se ideologizar
Almas pequeno-burguesas
Indesejáveis em minha história.
Ninguém permanece.

Tudo se esvai pela sua garganta
Em esgotos jorrando
Vomito também meus versos
Que soniferamente te escrevi
E bulimicamente sobrevive
Aos venenos do centro de Niterói.
Nada me alimenta.

Meus dias de trabalho selvagem.
E minhas noites são sombrias
Desenvolvo a escrita e a língua
E me escondo sem medo
Meu abrigo é na montanha
E dentro de mim mesma.
E a cannabis me salva.

E perpetuo uma existência
Esquisita aos olhos comuns
Sendo muito pós-moderna
Pseudo-trans na atividade,
Lesbiana sáfica com tridente
Gênero altamente distorcido
Chata.

Anos passam rápido demais
Metamorfose lenta e jurássica
Articulações parecem falhar
Ameaça de corpo cansado
Estômago ruindo
E eu só queria desaparecer
Para sempre.


sábado, 28 de junho de 2014

O meu amor roubou minhas estrelas.



Estive vagando entre astros
Questionando em voz alta
Nem satélites...
Nem planetas...
Podem ter a resposta.
Motivo válido
Em meu vazio atmosférico
Que percebeu enfim,
Que meu amor roubou minhas estrelas.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Poema do recalque invertido

Quando indagar se torna uma necessidade
Lembrar torna-se um câncer.
Metamorfoseando as últimas sensações
Um engodo ainda não digerido.
Ainda não submetido ao esquecimento.

Pensei ser a medida de todas as coisas
Pensei ser a culpa, a loucura e a solidão
Hoje sei que não sou.
Salvei-me quando te perdi
Submergi quando te afoguei.

Se vai demorar?
Quantos dias 28 ainda irei comemorar
Por enfim, conseguir viver sem você.
E sua existência vazia, fingida...
De quem pensa cazuzear.

A verdade te destrói
Por isso avança em condição mentirosa.
A  libertinagem não convence ninguém
Sorrisos, fotos apenas escondem
O esgoto que te cerca.

Que sua imagem destituída
Decomponha-se mesmo que devagar
Seus restos no lixo aguardam
Junto com tudo que relegaste
Em anos de desperdício.

Por agora, nada mais espero
Apenas meus livros, meus filmes
Minhas canções sentimentais
Minha vida real, triste ou feliz.

Quero a verdade dos meus dias.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

20:20

Sei que agora tudo é partida sem chegada
Coração partido que não sara.
Nas tuas festas vazias de gente de verdade.
Em dois mundos diferentes posicionam
Nossas cercas eletrificadas.

Mas, resisto, sobrevivo
E respiro sem o ar da sua graça.
Sim. Eu estou aqui.
E agora sem esperar mais nada.
Mentira...

Ainda avisto o final de minha jornada.
Não me submeto e não esqueço.
Chame de mágoa, chame de recalque.
É melhor lembrar pra justificar
O que não posso mais enfrentar.

Amor?
Apenas mais uma palavra ao vento.
Apenas mais um e-mail perdido.
Uma estória pra contar.

Uma tristeza a menos para cortar.

sábado, 12 de abril de 2014

Controller Girl

É quando adentro em um cubículo
Vasto cubículo de mim mesma
Fragmentos reais apenas vagam
Detalhes não se aprofundam.

Não me apresso mais
Não ultrapasso mais
O limite vociferador.

De dia encontro fôlego na superfície
Excesso vazio de mim mesma
Recortes emocionais desnorteiam
E não sinto mais nada.

Não me rendo mais
Não entrego mais
A mesma poesia de outrora.

O que era ultra-romântico
Tornou-se concreto.
O que era libertador
Tornou-se dialético.
O que era amor
Nem saudade se tornou.

E o que era belo e triste
O Pondera transformou.

domingo, 23 de março de 2014

Espelhos

Eu preciso me ver constantemente
Até quando não quero saber quem sou
Até quando não quero saber quem quero ser.
Até mesmo pra me desprezar.

Que a rejeição e a aceitação
Sejam ambas fundamentadas.
Que o limite seja a morte do possível
Sem lágrimas secas derramadas.

Ao me espelhar em um horizonte vazio
Mergulho profundamente
Em uma parede oca
Em um infinito de um nada existencial.

Quero passar por amarguras
Dos abandonados, dos esquecidos
Libertada de princípios valorosos
Antes que se corrompam.

Sentir a discórdia plantada
A tristeza das abreviaturas digitadas
Sorrir da dor como ostentação
Com meus dentes perfeitos.

Que o tempo invalide meus sonhos
Costumeiramente, tudo se esvai.
E me faço voraz, fortalecida
Estabelecida, refletida.